Jogando com o público

"É greve?", perguntou uma mulher ao ver uma aglomeração em frente ao Palácio, na Cinelândia, no último dia 3 (já no finzinho do Festival do Rio). Não, era só o público aguardando a exibição do novo filme de Eduardo Coutinho, Jogo de cena. Nem a transferência em cima da hora nem o atraso de meia hora desanimaram a platéia. O diretor estava lá para apresentar o documentário. Pena que não tinha microfone pra gente ouvir o que ele dizia lá da frente... Mas valeu a pena assim mesmo.

A idéia do filme é bem interessante: Coutinho colocou um anúncio no jornal, pedindo voluntárias para participar do longa, mulheres maiores de 18 anos, que tivessem histórias para contar. Os depoimentos foram gravados — não à toa num palco de teatro — e depois interpretados por atrizes. Claro que a edição do filme não apresenta os relatos em ordem linear; eles são editados, intercalados, o que dá um efeito curioso. Afinal, o "documentário" é um jogo de cena, não é?

Parece simples. E é. O resultado é que é impressionante: ao vermos a mesma história sendo contada por pessoas diferentes (às vezes cientes do que está acontecendo, às vezes não), nossa cabeça vai dando um nó. Vamos nos dando conta de que certas verdades parecem mentira e certas mentiras poderiam muito bem passar por verdades. No fim das contas, o que importa é uma história bem contada.

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